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4. MARCO CONCEITUAL

4.1 Concepção de educação, de homem, de sociedade, de mundo e de cultura

Vivemos um período de transformação. Sempre que a sociedade defronta-se com mudanças significativas em suas bases econômicas, sociais e tecnológicas, novas atribuições passam a ser exigidas da escola, da educação e da sua gestão. Consequentemente, sua função social necessita ser revista, seus limites e possibilidades questionados, pois a escola e as diversas formas de fazer educação estão inseridas na sociedade onde as violentas e profundas transformações no mundo do trabalho e nas relações sociais vêm causando impactos desestabilizadores à humanidade.

A sociedade é formada pela soma das diversidades, multiculturalidade entre outras designações que a caracteriza. De modo singular formam-se os grupos sociais que se agregam por suas características, costumes, nível social e poder aquisitivo, gerando a monoculturalidade que implica em disputas para que os demais sejam apagados ou silenciados. Por sua vez, o homem faz parte da sociedade como um todo, se agrega ou já nasce agregado a um grupo que se divide em gênero, faixa etária, desejos, valores, projetos individuais entre outros.

Essa diversidade de sujeitos implica em práticas pedagógicas que, evidentemente não pode ser a mesma para todos. A escola precisa saber trabalhar essas diferenças lançando mão de diversas ferramentas, isto é, estar aberta ao novo. Antes porém, deve fazer o reconhecimento da heterogeneidade e da complexidade do ser humano. Acolher as diversidades nas práticas educacionais numa construção de ensinar e aprender ao mesmo tempo. O diálogo entre as culturas que se integram num mesmo ambiente, se faz, quando utilizamos metodologias baseadas no universo de vida dos alunos fazendo uma dialética entre os saberes cultivados pelos alunos e do conhecimento universal historicamente acumulado pela humanidade.

É sabido que, da formação que a escola propicia e administra, dependerá a vida futura de todos que tiverem acesso a mesma. É sabido também, que a escola está inserida na “sociedade global” refletindo os impactos e exigindo novos conteúdos de formação, novas formas de organização e gestão da educação, re-significando o valor da teoria e da prática da administração da educação (FERREIRA 2002). _ Queremos uma sociedade mais justa, onde haja compromissos humanitários para conseguir enfrentar os desafios políticos, econômicos e sociais, onde o aluno possa conhecer seus direitos e deveres, que usufrua-os e tenha direito a educação, saúde e lazer. Buscamos enaltecer os valores políticos e econômicos, resgatar os valores éticos, morais e religiosos, contribuindo assim, para a formação de uma sociedade mais justa. No entanto, é através dos conhecimentos do cotidiano que se devem introduzir os conhecimentos produzidos pelo conjunto da humanidade de forma sistematizada.

Sendo papel da escola possibilitar por meio do conhecimento histórico, científico, artístico e filosófico que o aluno tenha condições de analisar a sociedade atual em suas contradições, tendo como objetivo a mudança de sua prática social intervindo no meio social em que está inserido.

Ainda que muitas sejam as concepções sobre a relação educação e sociedade, educação e produção da existência ou educação e atividade econômica, todas partilham de algumas questões indubitáveis a esta condição humana que constitui a razão de ser de toda instituição escolar: a formação humana do homem e da mulher em sua ampla dimensão, pessoal e profissional.

Acreditamos que:

  1. A escola oferece um tipo de formação que não é facilmente adquirida em outro lugar;

  2. A escola é uma instituição, cujo papel consiste na socialização do saber sistematizado existindo para propiciar a aquisição dos instrumentos que possibilitam o acesso a esse saber (SAVIANI 1991, P.22).

  3. Esta formação abarca as dimensões científicas, que se constituem de elementos cognitivos (aprendizagem, ensino, conhecimentos, capacitação, qualificação) e elementos atitudinais (socialização,disciplina, conduta, disposições).

A escola constitui um organismo social, vivo e dinâmico, uma cultura que não se reduz ao somatório de salas de aula onde professores são individualmente responsáveis pelo trabalho pedagógico que desenvolvem. A constituição da escola é tecida por uma rede de significados que se encarrega de criar os elos entre passado e presente, instituído e instituinte, o que estabelece as bases de um processo de construção e reconstrução permanentes.

Essa construção e reconstrução requer profissionais que superem as dificuldades, resolvendo-as, buscando alternativas coletivamente, assumindo o papel de educador como obrigação de profissional da educação e não alegando que os problemas devem ser resolvidos por outras instâncias. Além dos professores, é necessário que todos os funcionários estejam comprometidos com o Projeto Político Pedagógico, dispostos a fazer o necessário para o bom andamento da escola e que participem das decisões. A escola e demais instâncias devem capacitá-los de tal forma que sejam capazes de auxiliar na formação discente.

Sabemos que a cultura é algo que se constrói no interior da unidade escolar, como resultado das relações entre corpo docente, discente, equipe pedagógica, diretor e funcionários da escola. Ela constitui uma variável dependência das condições que entram em jogo na organização e funcionamento interno da escola e é influenciada pelos seus contextos sociais, político, econômico e cultural.

A cultura como sabemos, constitui-se de tudo aquilo que é construção humana. Ela é produto de uma eterna luta da sociedade, acumulando em si o que é adquirido, conservado e transmitido entre as gerações.

“A cultura é para nós o que a água é para o peixe. (...). É na cultura que se geram a consciência e o pensamento. Nós somos paridos pela cultura, vivemos dentro dela e ela é o ambiente humano” (Pantoja, 1999).

É impossível pensar em formação humana sem se falar em Moral e Ética. Para tanto vejamos a distinção entre ambas: A moral é definida como conjunto de normas, princípios, preceitos, costumes, valores que norteiam o comportamento do indivíduo no seu grupo social. Ela é normativa. Por sua vez a ética é definida como a teoria, o conhecimento ou a ciência do comportamento moral, que busca explicar, compreender, justificar e criticar a moral ou as morais de uma sociedade. Portanto, constantemente nos encontramos em situações que nos colocam diante de problemas tais como: as desigualdades sociais a falta de emprego, a fome a violência, a miséria, o preconceito, a discriminação e a exclusão. São problemas práticos e concretos da nossa vida em sociedade.

Tais situações problemas, surgem na relação com o outro e expressam desafios a enfrentar, embora não possam ser resolvidas elas devem ser discutidas para que possamos pensar na possibilidade de se construir uma outra história que, obrigatoriamente, é coletiva. Devemos enquanto instituição educacional, orientar os alunos a respeito da violência e o uso indiscriminado de drogas, apontando caminhos que os conduza a uma vida saudável, ou seja, não podemos porém, fazer a tarefa de pai neste momento da vida desses indivíduos. Não devemos agir por força do hábito, dos costumes, aceitando a realidade social, política, econômica e cultural, para não perdermos nossa capacidade crítica diante da realidade, envidando esforços para despertar no aluno reflexão sobre situações postas pela vida prática, tais como: O que devo fazer? Como agir em determinada situação? Como me comportar perante o outro? Diante da corrupção e das injustiças o que fazer?

Cada um de nós vive o existencial e o espontâneo do dia-a-dia: ele é nosso cotidiano. Porém este, por si mesmo, é muito circunscrito e limitado para possibilitar a sua compreensão crítica e, consequentemente, sua integração num novo patamar de entendimento que o ultrapasse. Por si mesmo, o cotidiano carece de recursos para se auto-entender de uma forma crítica. A apropriação ativa da cultura elaborada é necessária para a construção do conhecimento.

A originalidade de cada leitor e de cada aluno nascerá de sua forma pessoal de assimilar e entender o mundo que o circunda a partir de sua vivência e da apropriação ativa do saber sistematizado. Essa perspectiva é necessária para, no mínimo, opor-se a ela. Apropriar-se de forma crítica quer dizer saber com precisão o que está exposto e avaliar o que está dito em relação à realidade educacional que se vive. Os conteúdos ensinados pela escola não é dogma para ser assimilado como verdades, mas sim, a ser apropriados e discutido criticamente. O importante é que o professor tenha clareza sobre o significado de sua ação e o papel que deve desempenhar, se quer, efetivamente, auxiliar seus alunos no processo de crescimento e elevação cultural.

4.2 Concepção de conhecimento e tecnologia

A educação é uma prática humana direcionada por uma determinada concepção teórica. A prática pedagógica está articulada com uma pedagogia, que nada mais é que uma concepção filosófica que ordena os elementos e direcionam a prática. Acreditamos que a filosofia é um corpo de entendimentos que compreende e dá significado ao mundo e à existência. A crítica é um modo de penetrar dentro desses valores, descobrindo sua essência e, a partir daí, elaborar a construção crítica que sejam significativas para compreender e orientar a direção aos nossos objetivos.

Partindo de nossa realidade e analisando criticamente a série de tendências que direcionam e orientam a prática educacional, chegamos a conclusão que a Tendência Progressista Dialética Histórica Materialista é a que mais se identifica com nosso trabalho, sendo a escola difusora de conteúdos vivos e concretos, indissociáveis das realidades sociais. Se a escola é parte integrante do todo social, agir dentro dela é também agir rumo da transformação da sociedade. Esta escola se compromete a servir aos interesses populares garantindo a todos um bom ensino,isto é, a difusão dos conteúdos escolares básicos que tenham ressonância na vida dos alunos como mediadora no seio da prática social global na qual o educando passa de uma experiência inicialmente confusa e fragmentada (sincrética) a uma visão sintética, organizada e unificada, preparando o aluno para o mundo adulto e suas contradições, fornecendo-lhe um instrumental por meio da aquisição de conteúdos e da socialização, para uma participação organizada e ativa na democratização da sociedade.

O professor acompanhará e intervirá para que o aluno não estabeleça oposição entre cultura erudita e popular, ou espontânea, mas que haja uma relação de continuidade em que, progressivamente, passe de uma experiência imediata e desorganizada ao conhecimento sistematizado.

A postura da pedagogia “dos conteúdos” visa auxiliar o aluno a ultrapassar a experiência, os estereótipos, as pressões difusas da ideologia dominante.

Os métodos não partem de um saber artificial, mas de uma relação direta com a experiência do aluno, confrontada com o saber trazido de fora. O docente relaciona a prática, vivida pelos alunos com os conteúdos propostos. Neste momento se dá a ruptura em relação à experiência pouco elaborada. Em outras palavras: uma aula começa pela constatação da prática real, havendo em seguida, a consciência desta prática no sentido de referi-la aos termos do conteúdo proposto na forma de um confronto entre a experiência e a explicação do professor. Vale dizer: vai da ação à compreensão e da compreensão à ação, até a síntese, o que caracteriza unidade entre teoria e prática.

O grau de envolvimento na aprendizagem depende tanto da disposição do aluno quanto do professor e do contexto da sala de aula. A aquisição da aprendizagem se dá a partir do momento da síntese, isto é, quando o aluno supera sua visão parcial e confusa e adquire uma visão mais clara e unificadora.

Um ponto de vista realista da relação pedagógica não recusa a autoridade pedagógica expressa na sua função de ensinar, mas não deve confundir autoridade com autoritarismo.

Por fim, há um confronto do aluno entre sua cultura e a herança cultural da humanidade, entre o seu modo de viver e os modelos sociais desejáveis para um projeto novo de sociedade. E há um professor que intervém, não para se opor aos desejos e necessidades ou à liberdade e autonomia do aluno, mas para ajudá-lo a ultrapassar suas necessidades e criar outras, para ganhar autonomia, para ajudá-lo no seu esforço de distinguir a verdade do erro, para ajudá-lo a compreender as realidades sociais e sua própria experiência.

4.3 Concepção de Ensino aprendizagem

O pressuposto essencial para o alcance do objetivo da educação, está centrado na ação do professor em sala de aula. Este profissional não deve esquecer-se que para a assimilação dos assuntos, é necessário primar pela qualidade do ensino aliada à sua quantidade.

Os educadores contemporâneos salientam a importância de se combinar o teórico com o prático, pois será o momento em que o educando fará uma ligação entre o meio escolar e seu cotidiano. Desse modo, o aluno chegará a conclusões próprias sobre os mais diversos conteúdos abordados sistematicamente e em caráter oficial, pela escola, adquirindo um domínio técnico do tema que antes conhecia pela sua vivência e observação de mundo. Na escola, estas informações serão ordenadas, e terão explicações técnicas. Mas o segredo do aprendizado está em não contestar a bagagem trazida pelo aluno. mas, aproveitar o máximo possível de seus conhecimentos transportando-os para o saber científico.

O professor só conseguirá atingir seu objetivo, quando ocorrer a mediação do conhecimento e a transformação do senso comum em sistemático, quando previamente planejados. Agindo dessa forma, poder-se-á visualizar o ponto inicial e o resultado final e modificá-los conforme a dinâmica do grupo que está sendo trabalhada.

O papel do professor não pode restringir-se a repassar os conteúdos, repetindo o que o livro didático propõe. Precisa questionar a informação, tratá-la e aperfeiçoá-la, para depois apresentá-la aos alunos, conduzindo-os a questionar o que lhe é apresentado. Essa postura demonstra antes de tudo, que o aluno está pensando e elaborando seus pareceres ao invés de apenas absorver conteúdos prontos, acabados e imutáveis. Uma forma de engajar o aluno na proposta escolar, é a realização de trabalhos em grupo, pois observa-se que as experiências particulares são compartilhadas pelos componentes, onde é utilizada uma linguagem própria e altamente acessível a todos. O primordial para o funcionamento desse tipo de trabalho, é a total interação do assunto, de forma que o grupo possa criar ideias e transformá-las por si mesmo, conforme for exigido.

Já o trabalho individual trará seus efeitos quando analisada a classe como composta por muitas células independentes, pois o resultado de uma atividade individual será aquele que prova o quanto o professor pôde compartilhar os seus conhecimentos e o quanto o aluno transformou essas informações em conhecimento científico. Isso tudo em caráter individual, o que dificilmente pode ser conseguido no trabalho em grupo, pois em sua essência é o esforço de um conjunto, sendo impossível saber qual ou quais os alunos que conduziram os trabalhos.

Ainda no trabalho individual será sentida, portanto, a atuação do aluno como passivo do processo ensino-aprendizagem e agente de transformação. Mas para alcançar o estágio em que o próprio aluno terá condições de trabalhar a informação, esta deve ser metodicamente construída utilizando-se elementos com os quais o educando esteja em contato permanente.

O meio em que o aluno vive é um recurso didático riquíssimo, deverá o professor sempre que for possível, utilizar-se desse meio para a sua atividade profissional. Pode solicitar aos alunos a realização de pesquisas de campo, onde, com os dados obtidos, poderá ser avaliada sua atuação, seu conhecimento nas mais diversas áreas de estudo, sua capacidade de análise do concreto, seu interesse, etc. Após a realização do trabalho de pesquisa, com as informações resultantes desse trabalho, podem ser elaboradas diversas atividades pedagógicas, como por exemplo, a construção de textos. Também será excelente para uma visão global da interação professor-aluno e da participação deste em sociedade.

Para a escola convergem diariamente muitos segmentos da sociedade, representados na comunidade escolar. Cada membro trará consigo o aprendizado obtido durante sua convivência com a família, amigos e colegas. Dada essa variação da clientela, vivenciada principalmente no setor econômico, o professor deverá atuar com muito cuidado a fim de se evitar discriminações.

4.4 Livro Didático

O livro didático é um instrumento de apoio do trabalho pedagógico que deve ser bem escolhido e bem utilizado. Será o ponto de partida para grande parte das atividades realizadas em classe, portanto, deverá representar o pensamento pedagógico da escola. Na falta de livros específicos para a disciplina, o professor deve ter o cuidado de escolher seu “condutor”, de forma que aproxime-se da realidade vivida pela comunidade escolar. Os textos devem ser de fácil compreensão e bem distribuídos em páginas que contenham fotografias ou desenhos que possam resumí-los a um simples olhar. A fotografia ou desenho tem a capacidade de proporcionar uma aprendizagem duradoura, criando no aluno sua própria interpretação para o fato que está representado no texto. Caberá ao professor auxiliar o aluno na conclusão de seu pensamento e norteá-lo, em caso de desvio. O importante é proporcionar o ato de pensar sozinho. Este deve ser o objetivo da escola , sendo os professores os impulsionadores do processo.

O professor deve cuidar para que seus ensinamentos não provenham somente do livro didático. Este deve servir apenas como fio condutor do processo educativo. Seu uso deverá restringir-se a apontar os caminhos a serem seguidos; o professor será o agente complementador da educação proposta pelo livro, aparando as arestas e sempre demonstrando que o livro didático não é o senhor absoluto do saber. O aluno deverá sempre questionar seu conteúdo, pois em seu texto poderá trazer o pensamento de apenas um grupo dominante. Será necessária a figura do professor para apresentar o outro lado dos fatos. Quanto às atividades nele contidas, deverá ser de iniciativa docente a explicação de outras formas de se chegar aos mesmos resultados. Evitando assim, a soberania do livro didático.

4.5 Gestão

Vale lembrar algumas definições que possam nos conduzir e dar um novo significado à gestão da educação e à administração da educação de um modo geral comprometidas com os desafios dos saberes necessários à construção da concepção de humanidade como comunidade planetária.

Gestão democrática da educação é um termo que, historicamente, vem se afirmando no âmbito da administração da educação e no estudo das instituições e organizações, incluindo as educacionais, como sinônimo de administração e que se “instala” no mundo pensante com um sentido mais dinâmico, traduzindo movimento, ação, mobilização e articulação. Embora existam, na literatura, algumas discordâncias quanto à aplicação do conceito de gestão à educação, hoje é preponderante seu emprego para exprimir a responsabilidade pela “direção” e pela garantia de qualidade da educação e do processo educacional em todos os níveis do ensino e da escola.

A este respeito, SACRISTÃ (1995) escreve sobre novos modos de entender a direção escolar afirmando que:

a gestão escolar constitui uma dimensão da educação institucional cuja prática põe em evidência o cruzamento de intenções reguladoras e o exercício do controle por parte da administração educacional, as necessidades sentidas pelos professores de enfrentar seu próprio desenvolvimento profissional no âmbito mais imediato de seu desempenho e as legítimas demandas dos cidadãos de terem interlocutor próximo que lhes dê razão e garantia de qualidade na prestação coletiva deste serviço educativo.”

Superando a concepção taylorista/fordista, que foi a fonte dos estudos de administração da educação servindo-lhe de norte por longas décadas, a gestão democrática da educação constrói coletivamente por meio da participação, a cidadania da escola, de seus integrantes e de todos que nela, de alguma forma, participam, possibilitando, este aprendizado, o desenvolvimento de uma consciência de participação mais ampla no mundo. O modelo de administração da educação baseado em uma estrutura verticalizada e rigidamente hierarquizada não abria espaços significativos para mudanças, participação ou criatividade. Nesse sentido,

pensar e agir, planejar e executar eram duas instâncias separadas que se “retroalimentavam” segundo aquelas concepções, e exprimiam a consequência inexorável da separação entre concepção e execução, quando o trabalho era dividido entre lugares distintos e distintos grupos de trabalho. (SILVA, 2002).

A gestão da educação, hoje, ultrapassou estas formas estritamente racionais, técnicas e mecânicas que a caracterizaram durante muitos anos, sem contudo prescindir de alguns destes mecanismos, enquanto instrumentais necessários ao seu bom desenvolvimento e ao “bom funcionamento da escola”, mas, apenas enquanto instrumentais, a serviço dos propósitos decididos coletivamente e expressos no projeto político-pedagógico da escola que cumpre, desta forma sua função social e seu papel político-institucional. É consenso hoje, que os professores gostam de trabalhar em escolas bem dirigidas e organizadas, constituindo a gestão democrática um componente decisivo em todo o processo coletivo de construção do planejamento, organização e desenvolvimento do projeto político-pedagógico e de um ensino de qualidade. Todavia é realidade que a compreensão teórico-prática da gestão democrática da educação ainda está se fazendo, no próprio processo de construção do projeto político-pedagógico e da autonomia da escola, que embora já seja uma convicção e uma prática em desenvolvimento, ainda não é uma realidade da vida social e profissional. Há que reforçar este valor, seus significados e suas práticas.

Todavia, a gestão da educação, enquanto tomada de decisão, organização, direção e participação, não se reduz e circunscreve na responsabilidade de construção e desenvolvimento do projeto político-pedagógico. A gestão da educação acontece e se desenvolve em todos os âmbitos da escola, inclusive e fundamentalmente, na sala de aula, onde se objetiva o projeto político-pedagógico não só como desenvolvimento do planejado, mas como fonte privilegiada de novos subsídios para novas tomadas de decisões para o estabelecimento de novas políticas.

No que se refere a gestão (processo que rege o funcionamento da escola compreendendo tomada de decisão no planejamento, execução, acompanhamento e avaliação das questões administrativas e pedagógicas), para alcançar as metas associadas a qualidade de ensino, vencer os desafios no sentido de dar eficácia à escola e superar os entraves do dia a dia, vamos desenvolver um trabalho em parceria com a comunidade escolar e em geral, pois entendemos que só através de um trabalho conjunto, da força reivindicatória destes segmentos e da luta coletiva, estejamos dando o primeiro passo para assegurar que a escola seja um instrumento de consolidação efetiva da democracia.

Precisamos resgatar em sala de aula a solidariedade, o respeito mútuo e para isso já no início do ano letivo será planejado atividades que visem alcançar o acima exposto.

4.5.1 Órgãos colegiados da escola

Conselho Escolar: órgão colegiado de direção (deliberativo, consultivo e fiscal), cuja finalidade é promover a articulação entre os segmentos organizados da sociedade e os setores da escola.

Conselho de Classe: é um órgão colegiado de natureza consultiva e deliberativa em assuntos didático-pedagógicos, com atuação restrita a cada classe do estabelecimento de ensino, tendo por objetivo avaliar o processo-ensino-aprendizagem na relação professor-aluno e os procedimentos adequados a cada caso.

Cada sala elegerá através de voto os representantes de turma, responsáveis por fazer intercâmbio aluno-direção. Quando damos oportunidade para o aluno se expressar sem medo, estamos motivando a aprendizagem e respeitando a diversidade de cultura de cada um, incentivando todos a esta prática buscando promover o respeito quanto às diferenças de gênero, cor, religião, classe, etnia, etc. Com isso proporcionar a eles oportunidade de serem cidadãos críticos e conhecedores de seus direitos e deveres.

Resolver situações problemas da classe, na própria classe, com a participação dos alunos.

Grêmio Estudantil:O Grêmio tem por objetivos:

I- Representar condignamente o corpo discente;

II- Defender os interesses individuais e coletivos dos alunos da Escola;
III- Incentivar a cultura literária, artística e desportiva de seus membros;

IV- Promover a cooperação entre administradores, funcionários, professores e alunos no trabalho Escolar buscando seus aprimoramentos;

V- Realizar intercâmbio e colaboração de caráter cultural e educacional com outras instituições de caráter educacional, assim como a filiação às entidades gerais UMES (União Municipal dos Estudantes Secundaristas), UPES (União Paranaense dos Estudantes Secundaristas) e UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas);

VI- Lutar pela democracia permanente na Escola, através do direito de participação nos fóruns internos de deliberação da Escola.

APMF: O objetivo de todo trabalho da APMF é a integração entre família, educadores, funcionários e escola. Entendemos que a Escola de hoje deve ter como preocupação maior buscar a participação de toda a comunidade escolar, num exercício de administração compartilhada, pois todos desejam alcançar o mesmo objetivo: ensino de qualidade na escola pública e gratuita.

Todo nosso trabalho será desenvolvido com a participação efetiva de todos os órgãos acima citados, pois queremos durante nossa gestão que todos os segmentos tenham participação nas decisões administrativas e assumam um papel relevante no processo pedagógico de nossa escola.

Em nossa gestão daremos uma abertura para que todos possam colocar suas angústias e reivindicações e apontar caminhos de transformação da realidade atual. Vamos reunir periodicamente: Conselho Escolar, Conselho de Classe, representantes de turma, Grêmio e APMF para discutir problemas relacionados à escola (administrativas e pedagógicos), buscando soluções e investindo na formação de uma consciência crítica e de exercício da cidadania, dos problemas de governabilidade.

E, em cada evento ou promoção e benfeitoria realizada, a escola estará sempre participando os membros da APMF, bem como os conselheiros os quais estarão participando ativamente no planejamento e aplicação de recursos financeiros.

4.6 Concepção de avaliação

Entendendo que o ponto crucial do processo avaliativo é assegurar a qualidade desse julgamento, cujas consequências podem apresentar avanços, retrocessos e estagnação. A avaliação é um instrumento sinalizador do progresso do aluno em todos seus domínios. Nesse sentido ela não pode ser encarada como resultado de aprendizado, e sim como processo de construção, incidindo tanto sobre o aluno como sobre a proposta de ensino. Desta forma deve ser coerente com a dinâmica de aprendizagem utilizada nas salas de aulas, sem o que, passa a carecer de sentido prático.

A avaliação identifica a aprendizagem, conceitos e atitudes escolhidos pelo professor. A partir daí a sua aplicação exige o estabelecimento de prioridades, ou seja, do que se considera essencial dentro da proposta apresentada. Partindo deste pressuposto, o processo ensino aprendizagem a ser aplicado deverá envolver métodos que avaliem a participação cotidiana, conceitos e conteúdos sendo que estes devem ser significativos, ou seja, devem estimular a criatividade e a compreensão dos alunos sobre os temas trabalhados, para assim formarmos alunos em seres transformadores, detentores de valores, senso crítico e investigativo dos conhecimentos que ocorrem a sua volta.

Tendo em vista esse propósito, a proposta de ensino a ser utilizada busca um conceito de avaliação consensuada pela escola, onde as avaliações serão realizadas de forma que estejam voltada para o crescimento do aluno e que o mesmo, não veja na avaliação um ato que se volte contra ele, mas favorável, no sentido da construção de sua autonomia, Buscando a superação das dificuldades que vem encontrando no processo ensino aprendizagem, tornando se assim o principal objetivo da avaliação no processo escolar, ponto de partida e não fim para propiciar a construção do conhecimento e aprendizagem por parte dos alunos, desenvolvendo um conteúdo mais significativo e uma metodologia mais participativa. Entendendo que a avaliação será reflexiva, relacional e compreensiva, o professor avaliará aquilo que é fundamental no ensino e também considerando que as avaliações devem ser vistas em uma perspectiva onde se crie procedimentos para respeitar a diversidade entre nossos alunos como algo fundamental, entendendo que nem todos os indivíduos podem ser formados em uma só dimensão intelectual não favorecendo desta forma apenas alguns alunos, permitindo focalizar as competências que o aluno tem mais desenvolvidas, refletindo a respeito e procurando melhorar aquelas que tem menos desenvolvimento, sem contudo perder de vista a identidade e a missão da escola, buscando para isso avaliar as necessidades de cada um, elaborando estratégias diferenciadas que partirão de uma observação continuada por parte do professor e não se restringindo a um só momento ou um só instrumento, sendo de forma contínua no intento de realmente cumprir sua função auxiliadora ao processo de ensino-aprendizagem, ou seja, o professor estará avaliando no momento em que o aluno precisa ser avaliado, contudo não deve ser realizada de maneira exaustiva, mas de forma que o professor realmente sinta que aquele seja um bom momento para se avaliar. Portanto, a avaliação não deve se restringir somente no que diz respeito ao ensino-aprendizagem do aluno e sim abranger todo o processo, envolvendo um julgamento de valor e uma expressão qualitativa, em que deverá ser revisto pelo professor a necessidade de uma reformulação dos conteúdos selecionados ,metodologia e recursos aplicados. A avaliação pode ocorrer nos seguintes momentos:

-Determinação do ideal mobilizador;

-Demarcação das possíveis metas a alcançar;

-Reconhecimento de informativos sobre a situação e maior objetividade possível;

-A formação do juízo de valor.

Também essa avaliação não será restringida apenas ao que se passa dentro da sala de aula, ou seja, aluno x professor, mas ultrapassará esse âmbito atingindo toda equipe escolar visando sempre buscar um melhor desempenho e produtividade de diretores, professores, especialistas, funcionários, ou seja, todo o corpo escolar na mesma perspectiva da avaliação praticada aos nossos alunos em que busca propiciar a todos o direito de superarem suas dificuldades e aperfeiçoarem suas competências, sendo entendida que não é um ato punitivo e autoritário e sim auxiliador na construção de um melhor desempenho de todos, buscando assim na avaliação uma oportunidade para se reformular e aperfeiçoar o ensino.

A escola propiciará momentos de discussão e reflexão com os professores, alunos, e pais sobre a importância da prática avaliativa, onde serão vistos critérios de promoção consensuada, bem como, uma maior clareza do procedimento tomado por todos, afim de dar um encaminhamento às dificuldades de aprendizagem apresentadas pelos alunos buscando ações concretas previstas para ajudá-los a superar essas dificuldades. Tornando assim o momento destinado ao “conselho de classe”, algo realmente significativo onde se passa a ser uma importante estratégia na busca de alternativas para superação dos problemas pedagógicos, comunitários e administrativos da escola, devendo contar na medida do possível, com representantes da comunidade, para que se tenha a oportunidade de uma visão em conjunto.

Deve se levar também em conta esse momento que é dado ao “conselho de classe” ser uma excelente oportunidade a se levantar a questão quanto a necessidade de se recuperar e auxiliar o aluno com problemas, entendendo que esse é um direito do mesmo e mais que um dever por parte de toda escola, pois se assim não for, a avaliação perde seu real sentido de ser aplicada e estaremos nos omitindo na tarefa primeira que é garantir o direito a todos sem distinções a uma aprendizagem efetiva. Por sua vez, a escola buscará os procedimentos de recuperação, aceleração, acompanhamento individual e monitoria, dos alunos com dificuldades levando-se em conta uma participação consensuada por parte de todos em prol desse resgate.

É de suma importância um trabalho coletivo a fim de propiciar uma melhor qualidade de ensino e a informação sobre o que foi proposto e o que está sendo implementado de forma que os procedimentos de comunicação dos resultados e critérios avaliativos implantados e também alcançados sejam apreciados pelos alunos, pais e comunidade, bem como as instâncias centrais de gestão educacional, e ao término de cada ano letivo possamos alcançar o objetivo proposto.

4.7 Concepção de educação inclusiva

Apesar de garantida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, a filosofia da inclusão não se consolidou na forma desejada. É preciso, antes de qualquer ponto, que os professores se adaptem a este novo processo entendendo que há necessidade de um novo olhar para os alunos com necessidades educacionais especiais. É importante que sejam revistos os conceitos e preconceitos existentes para que seja possível a elaboração de um trabalho educativo de qualidade.

Entre os diversos motivos relevantes da inclusão educacional da pessoa com necessidades educacionais especiais, destacam-se os princípios de justiça e igualdade, isto proporcionará, no futuro aos alunos, uma participação social integrada aos demais membros de sua comunidade.

Além de contribuir para a socialização de alunos inclusos, a inclusão favorece um melhor desenvolvimento físico e psíquico, beneficiando também os demais alunos que aprendem a adquirir atitudes de respeito pelas diferenças. É exigida também maior competência profissional, projetos educacionais bem elaborados, currículos adaptados às necessidades dos alunos.

É sabendo da perplexidade e da preocupação que sentimos ao lidar, na sala de aula, com a diversidade de características de comportamento e aprendizagem e da dificuldade que temos em atender estes alunos, fazê-los aprender e promover a sua interação com o grupo é que nos preocupamos com a formação de profissionais para trabalhar com essa diferença.

Quando um professor sem formação especial para trabalhar, recebe um aluno com necessidades educacionais especiais sofre com o sentimento de impotência e desamparo, pois não está preparado para atendê-lo.

Se, com a nova legislação, o professor passa a ter novas obrigações profissionais, os governos também tem suas responsabilidades que não podem ser negligenciadas, é a de capacitar o professor para o trabalho educacional.

Esta capacitação está prevista no Art. 59 da LDB, com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Docentes da Educação Infantil e dos Anos Iniciais e Finais do Ensino Fundamental, em nível médio na modalidade Normal, e nas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura de graduação plena. (Resolução CNE/CEB Nº 2/2001, Art. 18º).

4.7.1 Objetivos que norteiam a educação inclusiva

  • Atender alunos com dificuldade intelectual em escolas próximas de suas residências;

  • Ampliar o acesso desses alunos nas classes comuns;

  • Ofertar capacitação aos professores proporcionando um atendimento de qualidade;

4.7.2 Principais características das pessoas com necessidades educacionais especiais

SITUAÇÕES QUE

DEFINEM NEE

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS


Deficiência intelectual

O funcionamento intelectual geral situa-se significativamente abaixo da média, comprometendo duas ou mais áreas de conduta adaptativa ou da capacidade para responder, de forma adequada, as demandas da sociedade.

Deficiência física sensorial visual

Há redução ou perda total da capacidade de ver com o melhor olho e mesmo após a melhor correção ótica, manifesta-se como cegueira ou visão reduzida (subnormal).


Deficiência física sensorial auditiva

Há perda total ou parcial, congênita ou adquirida, da capacidade de compreender a fala por intermédio do ouvido e manifesta-se como surdez leve (moderada) ou como surdez severa (profunda)

Deficiência física motora

Constitui-se em uma variedade de condições que afetam as pessoas comprometendo-lhes a mobilidade, a coordenação motora geral ou a fala, em virtude de lesões neurológicas, neuromusculares e ortopédicas, ou malformações congênitas ou adquiridas, amputados, poliomielite, entre outras.

Paralisia cerebral

Alterações significativas do tônus muscular.

Deficiência múltipla

Ocorre a associação na mesma pessoa, de duas ou mais deficiências (mental, auditiva ou física), com comprometimentos que determinam atrasos no desenvolvimento global e na capacidade de adaptação.

Condutas típica de síndromes e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos

Englobam manifestações típicas de portadores de síndromes (como o autismo, por exemplo) e quadros psicológicos, neurológicos ou psiquiátricos (como as psicoses), que acarretam atrasos no desenvolvimento e prejuízos no relacionamento social, em grau que requeira atendimento educacional especializado.

Altas habilidades

Permitem ao individuo aprender com facilidade, dominar rapidamente os conceitos, os procedimentos e as atitudes. Este grupo é formado por indivíduos que apresentam desempenho muito acima da média e uma potencialidade muito elevada em aspectos isolados ou combinados.












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